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Tuesday, August 12, 2008

Sesimbra arqueológica: uma nova imagem global

Os trabalhos realizados até agora, cerca de trinta dias, permitiram alguns avanços nas leituras das ocupações humanas do território de Sesimbra, cada vez mais rigorosas e abrangentes, do ponto de vista cronológico e espacial.
Numa primeira fase dos trabalhos deste ano, procedeu-se à georeferenciação de mais algumas cavidades naturais, utilizando o GPS, e, simultaneamente, procurando obter elementos que permitam, na medida do possível, clarificar as cronologias das suas utilizações antrópicas.
A interpretação da paisagem, tendo em conta as estratégias testadas em 2007, voltou a revelar-se a melhor estratégia para a organização dos trabalhos de campo deste ano.
Como era de esperar, no entanto, as prospecções nos limites e dentro dos centros urbanos, evidenciaram resultados muito díspares, tendo havido localidades com um número considerável de vestígios arqueológicos (como Alfarim) e outras, verdadeiros desertos (Quinta do Conde), confirmando áreas preferenciais de ocupação e vazios arqueológicos virtuais.
Em paralelo com os trabalhos de campo, procedeu-se mais uma vez ao tratamento de todos os materiais recolhidos no campo e à sua cartografia informatizada (SIG).
Em termos gerais, a Carta Arqueológica de Sesimbra apresenta, neste momento, um número de sítios que ultrapassa os 250, estando a equipa a definir áreas mais sensíveis e a hierarquizar, com diferentes parâmetros, os sítios arqueológicos listados, tendo em vista a sua inclusão no PDM, que se encontra em fase de revisão.
Os trabalhos realizados até ao momento continuam a revelar uma ocupação do território de Sesimbra, em praticamente todas as épocas, cobrindo substancialmente algumas lacunas detectadas à partida e revalorizando algumas fases, inicialmente muito vestigiais.
Este ano, destacamos a identificação do povoamento da Idade do Bronze, pela contribuição que aduziu para a interpretação da necrópole da Roça do Casal do Meio, um dos sítios mais emblemáticos conhecidos no concelho, assim como dos achados da Pedreira que apareciam sem contexto aparente.
Também a notável ocupação em gruta, no período islâmico, com uma eventual associação aos rabit - questão há muito colocada nos meios científicos, mas parca nas evidências arqueológicas - começou a ganhar nova entidade.
Por último, destaca-se a presença de evidências claras dos últimos caçadores-recolectores mesolíticos, no espaço sesimbrense (em particular, na área da Lagoa de Albufeira), presença que tinha já sido postulada nos trabalhos antigos, mas nunca tinha passado do limbo das hipóteses; este fenómeno começou a ser confirmado na campanha de 2007 e foi confirmado, com novos dados, neste ano.












Saturday, July 28, 2007

Um balanço provisório


Cartografia dos sítios conhecidos, no início dos trabalhos (Serrão, 1994)


Cartografia dos sítios actualmente conhecidos

Foram efectuados, até agora, cerca de 30 dias de trabalho, tendo como objectivo a revisão da Carta Arqueológica de Sesimbra.


Os resultados ultrapassaram, em vários aspectos, as expectativas: dos cerca de 70 sítios consignados na obra póstuma de Eduardo da Cunha Serrão, a maior parte foi relocalizada e geo-referenciada com GPS; foram igualmente revistos, na sua maioria, os dados resultantes das prospecções espeleológicas (NECA e LPN).
Em paralelo, foram registadas várias dezenas de sítios novos, de diversos tipos e cronologias. O número de sítios que, neste momento, integra a base de dados que elaborámos, ascende a cerca de 140; na maioria deles, foram recolhidos materiais de diagnóstico.
Os materiais recolhidos foram todos lavados, marcados e descritos numa base de dados de materiais, paralela à base de dados de sítios. O uso de um programa SIG, permitiu, desde já, a cartografia rigorosa dessa informação.
Foi igualmente desenhada uma amostra (ainda em expansão) dos artefactos mais significativos, tendo em vista a publicação dos resultados.
Em termos globais, foram acrescentados à listagem inicial, sítios de quase todas as épocas, permitindo, neste momento, uma visão muito mais circunstanciada do povoamento antigo de Sesimbra.
As novidades mais interessantes prendem-se com a detecção de sítios atribuíveis ao Mesolítico (de que apenas havia suspeitas), ao Neolítico antigo e ao Neolítico final, assim como à 1ª Idade do Ferro. Também a ocupação romana e medieval/islâmica começa a apresentar as primeiras evidências sólidas.